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MÓDULO VI
Introdução
Ofidismo
Ofidismo: acidente botrópico
Ofidismo: acidente laquético
Ofidismo: acidente crotálico
Ofidismo: acidente elapídico
Ofidismo: acidente por serpentes não peçonhentas
Escorpianismo
Araneísmo
Acidente por Phoneutria Acidente por Loxosceles Acidentes por Latrodectus Aranhas não venenosas
Envenenamento por Lepdoptera
Acidente por megalopygidae Acidente por saturniidae
Acidentes por hymenoptera
Acidente por formigas Acidentes por coleoptera
Princípios de soroterapia
Envenenamento por Animais Peçonhentos
 


Características epidemiológicas

Estes acidentes predominam na região Sul do Brasil, principalmente na região metropolitana de Curitiba. Ocorrem especialmente nos meses quentes e chuvosos e estão freqüentemente relacionados aos atos de vestir e dormir, atingindo com maior freqüência a região proximal de membros e tronco.

Identificação

São aranhas pequenas, atingindo até 1 cm de corpo e 3cm de envergadura. Apresentam coloração marrom, que é uniforme entre as espécies, daí o nome popular de “aranha-marrom”. Têm hábitos noturnos e não são agressivas. As principais espécies causadoras de acidentes no Brasil são: Loxosceles gaucho, L. intermedia e L. laeta.

Ação do veneno

O componente mais importante do veneno das Loxosceles é a esfingomielinase-D que atua sobre a matriz extracelular, e através da ativação do sistema complemento e de ações sobre células endoteliais, epiteliais, leucócitos e plaquetas leva a liberação de mediadores inflamatórios, obstrução de pequenos vasos no local da inoculação do veneno, e conseqüente lesão tecidual. Da mesma forma, a hemólise tem sido atribuída à ação da esfingomielinase-D sobre metaloproteinases endógenas. Uma vez ativadas, estas agem sobre proteínas da membrana de hemácias, tornado-as susceptíveis a ação do complemento.

Quadro Clínico

O loxoscelismo pode ser classificado em duas formas:

  1. Forma Cutânea: é a forma clínica mais freqüente. O quadro, de instalação lenta e progressiva, inicia-se com dor discreta após a picada. Posteriormente, em período que pode variar de 4 a 8 horas, a dor reaparece juntamente com edema e eritema. Na evolução, surgem áreas de equimose mescladas com palidez (placa marmórea) e, posteriormente, em período de até 2 semanas, forma-se uma área de necrose seca de extensão e profundidade variável. Associado a lesão de pele, podem ser observados, já nas primeiras 24 horas do acidente, fenômenos gerais como febre, náuseas, vômitos, tontura, cefaléia e exantema maculopapular.
  2. Forma cutâneo-hemolítica: mais rara, apresenta além do comprometimento cutâneo, manifestações clínicas decorrentes da hemólise intravascular como: anemia aguda, icterícia, hemoglobinúria que, na grande maioria dos casos, surgem nas primeiras 72 horas do envenenamento. Insuficiência renal aguda (IRA) pode ser observada e, com menor freqüência, coagulação intravascular disseminada (CIVD).
Complicações

Nas formas cutâneas, eventualmente pode haver perda tecidual profunda e extensa, com cicatrizes desfigurantes. Infecção secundária é raramente observada, especialmente na fase de crosta necrótica.

Insuficiência renal aguda (IRA) e com menor freqüência, coagulação intravascular disseminada (CIVD) podem ocorrer na forma cutâneo-hemolítica.

Exames complementares
  1. Forma cutânea: leucocitose com neutrofilia e em casos em que a lesão é mais profunda pode-se observar aumento sérico de enzimas musculares como CK, DHL e AST.
  2. Forma cutâneo-hemolítica: observa-se anemia de intensidade variável, reticulocitose, leucocitose com neutrofilia, aumento de bilirrubinas total com predomínio de bilirrubina indireta e diminuição da haptoglobina livre. Alterações da função renal e dos testes de coagulação e plaquetopenia podem ocorrer.
Tratamento

Primeiros socorros

  • Procurar o serviço médico mais próximo;
  • Se possível, levar o animal para identificação.

Geral

  • Corticosteróide: tem sido utilizada a prednisona, 1mg/kg/dia, durante os primeiro dias do acidente (5-7 dias).
  • Analgésico: especialmente na primeira semana, quando o quadro álgico é mais importante. Pode ser administrado dipirona ou paracetamol.
  • Anti-histamínico: está indicado em caso com exantema cutâneo e prurido intenso.
  • Antibiótico: apenas nos caso que evoluem com infecção secundária. Administrar antibiótico com ação sobre microorganismos usuais da flora da pele, como por exemplo, cefalexina.
  • Debridamento cirúrgico e cirurgia reparadora: nos casos que evoluem com necrose, o debridamento pode ser necessário quando há a delimitação da mesma, o que costuma ocorrer a partir da segunda semana. Em situações onde haja perda tecidual importante, avaliar a necessidade de enxerto ou correção de cicatrizes.

Nas formas hemolíticas que evoluem com complicação, avaliar a necessidade de métodos dialíticos e de reposição de concentrado de hemácias.

Específico

O antiveneno específico está indicado para a forma cutâneo-hemolítica, e na fase inicial da forma cutânea (Tabela 5).

Tabela - Loxoscelismo: classificação dos acidentes quanto à forma clínica e tratamento.

LOXOSCELISMO#
Manifestações clínicas
TRATAMENTO
inespecífico
específico
Cutâneo

quadro local:
edema, eritema, dor, equimose, palidez cutânea, bolha, vesícula, necrose

quadro geral:
febre, mal estar, exantema

corticosteróide durante 3-7 dias (prednisona 1mg/kg/dia)

analgésicos

5 ampolas*
Cutâneo-hemolítico

além dos acima referidos:
icterícia, anemia, alterações laboratoriais indicativas de hemólise, insuficiência renal

corticosteróide
hidratação parenteral
diuréticos
correção de distúrbio hidro-eletrolítico

10 ampolas*

* Soro anitiloxoscélico (SALox) ou Soro antiaracnídico (SAAr) – 1 ampola = 5 ml.
# Com ou sem identificação da aranha.

Prevenção
  • Sacudir roupas e sapatos antes de usá-los;
  • Não pendurar roupas nas paredes.
  • Fazer limpeza periódica atrás de quadros, painéis, objetos pendurados, sofás, armários e outros móveis;
  • Evitar acúmulo desnecessário de caixas, jornais e revistas;
  • Preservar os predadores naturais das aranhas, como lagartixas, sapos e aves.

 


 
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