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MÓDULO II
Fisiologia: Aparelho digestivo
Fisiologia: Pele
Fisiologia: Aparelho respiratório
Fisiologia: Aparelho urinário
Fisiologia: Condução nervosa
Fisiologia: Músculo
Toxicologia e saúde do trabalhador
Fontes de informação toxicológica
Conhecimentos Gerais  

 


A pele se divide em duas zonas que correspondem a um tipo particular de tecido:

- a epiderme, situada em superfície, é constituída por um tecido epitelial queratinizado em superfície;
- a derme, situada em profundidade, é formada por dois tipos de tecido conjuntivo, frouxo e denso. Estes dois tecidos estão estreitamente ligados um ao outro.
- a hipoderme ou tecido subcutâneo encontra-se abaixo da derme, constituída essencialmente por um tecido adiposo. A hipoderme une a pela às estruturas subjacentes através de feixes irregulares de fibras colágenas, absorve os choques e isola as estruturas mais profundas contra as mudanças bruscas de temperatura.

Epiderme  

A epiderme é constituída de um epitélio pavimentoso estratificado, estruturado em 4 ou 5 camadas de células, segundo a região do corpo:

  • camada basal – a mais profunda e em contato com a derme, formada de células pouco diferenciadas e de forma cúbica, que se multiplicam incessantemente;
  • camada espinhosa – constituída de células mais achatadas, queratinizadas, que estabelecem contato estreito umas com as outras através de desmossomas;
  • camada granulosa - contendo células achatadas, ricas em queratina e fibras de colágeno, e contendo lisossomos ricos em enzimas;
  • camada lúcida – presentes na pele glabra, ela apresenta células achatadas, de aspecto hialino, contendo enzimas auto-digestivas, responsáveis pela destruição de suas organelas citoplásmicas e seus núcleo;
  • camada córnea – formada de células muito achatadas, cujo citoplasma contém quantidades importantes de queratina.

As células que compõem a epiderme são de vários tipos:

Queratinócitos: elas são as mais numerosas e produzidas pelas células da camada basal. Sintetizam a queratina e, à medida que migram para a superfície, se transformam progressivamente, formando uma camada córnea ou queratinizada, caracterizada por células que, perdendo seus núcleos, suas organelas citoplásmicas e suas membranas celulares, deixam no lugar estruturas achatadas e rígidas de queratina. A queratina, proteína fibrosa filamentosa, dá firmeza à epiderme, garante a impermeabilização da camada externa e a protege da desidratação. Essa proteína contém uma elevada taxa de ácidos aminados a base de enxofre, cisteína em particular, que formam pontes dissulfeto entre as moléculas e conferem rigidez ao conjunto. A perda das células superficiais é o resultado do atrito e outros fenômenos externos sofridos pela pele. A renovação total da epiderme se dá a cada 25 a 50 dias.

Melanócitos: são células especializadas, presentes, sobretudo na camada basal, que podem sintetizar um pigmento escuro, a melanina, cuja função é de proteger a pela contra os raios ultravioletas do sol. A exposição à luz solar provoca a produção de maiores quantidades de melanina. As efélides ou sardas correspondem a uma hiperpigmentação fotorreactiva em alguns pontos da pele e, os melanomas benignos ou pintas, a uma acumulação local de melanina.

Células de Langerhans: são células imunitárias gigantes, de forma estrelada graças à presença de prolongamentos membranares que se estendem entre os queratinócitos. Elas são produzidas pela medula óssea e migram para a epiderme onde atuam como macrófagos e contribuem à ativação do sistema imunitário. As células de Langerhans são capazes de ingerir partículas estranhas e microorganismos e, em seguida saem da epiderme e passam para os gânglios linfáticos satélites onde apresentam os determinantes do antígeno aos linfócitos T.

Células ou discos de Merkel: elas estão presentes entre a epiderme e a derme em pequena quantidade. Ligam-se estreitamente à terminação nervosa sensitiva e têm um papel de receptores do tato e de pressão.

Ainda que as camadas mais superficiais da epiderme sejam compostas de células ditas “mortas”, atualmente se sabe que elas são o sítio de uma atividade metabólica importante, mas, contrariamente ao que se passa em outros tecidos, essa atividade é essencialmente extracelular. Isto resulta da ação das enzimas secretadas pelas células da camada granulosa da epiderme e que são liberadas, em grânulos, nos interstícios entre aquelas da camada córnea. Essas enzimas são hidrolases pouco específicas: glicosidade, fosfolipase, esfingomielinase, fosfatase, algumas esterases, sulfatases e proteases, e têm uma ação importante na apoptose da epiderme.

Estudos recentes demonstraram que o aumento da atividade da enzima fosfolipase A2, e do trocador sódio-hidrogênio presente nessa região, está relacionado com a acidificação do filme líquido na superfície da camada córnea da epiderme. O pH da superfície cutânea, situado entre 4 e 6,5, mas podendo variar segundo as áreas do corpo, garante a integralidade e a coesão tissular e faz com que a pele seja menos permeável à água e outros produtos polares e menos susceptível à ação de microorganismos patogênicos.

O efeito de lavagens múltiplas e de produtos que modificam a composição ou eliminam o filme hidrolipídico (solventes, tensioativos e outros), alteram as funções da camada córnea e o pH da pele, que vão requerer mais de 14 h para serem restaurados. Toda agressão interveniente durante esse período concorrerá para o prolongamento desse estado de suscetibilidade. O eczema agudo e a dermatite atópica podem causar um aumento do pH cutâneo até 7,3 ou 7,4.

A epiderme se invagina na derme e origina:

- os folículos pilosos que, na exposição ao frio, são levantados pelos músculos eretores, aprisionando bolhas de ar estático junto à pele que retardam as trocas de calor;

- as glândulas sebáceas, são responsáveis pela oleosidade da pele. Mais numerosas e maiores na face, couro cabeludo e porção superior do tronco, não existem nas palmas das mãos e plantas dos pés. Elas excretam sua secreção no folículo pilo-sebáceo. Muitas substâncias lipofílicas se diluem na mistura formada pelo suor e o produto das glândulas sebáceas, aumentando seu tempo de contato com a pele e tendo, assim, facilitada sua absorção por essa via; outras são absorvidas quando diluídas em um solvente que destrói esse filme lipoprotéico;

- as glândulas sudoríparas, são glândulas tubulosas simples terminadas por um ducto único e estreito. A porção secretora localiza-se na derme. Elas podem ser de dois tipos: glândula sudorípara apócrina – elimina uma minúscula parte do citoplasma associada à secreção propriamente dita, e glândula sudorípara écrina – elimina exclusivamente sua secreção. O suor secretado é uma solução extremamente diluída, que contém algumas proteínas, sódio, potássio, cloreto, uréia, amônia e ácido úrico, e provoca a diminuição da temperatura corporal ao evaporar-se da superfície da pele. Alguns produtos de secreção são eliminados através do suor.

Derme  

A derme é um tipo de envelope resistente e flexível que cobre e sustenta o organismo. Sua espessura é variável, aproximadamente quatro vezes mais espesso que a epiderme: ela é mais espessa na palma das mãos e na planta dos pés, e mais delgada nas pálpebras. Amplamente vascularizada, ela tem um papel importante no controle da temperatura do corpo através da dilatação de seus vasos que se enchem de sangue quente, para irradiar o excesso de calor para o exterior, ou se esvaziam quando a temperatura externa baixa, a fim de evitar o resfriamento interno do organismo. Os vasos sangüíneos também são responsáveis pela alimentação da epiderme, permitindo a difusão de nutrientes e oxigênio para as camadas celulares mais profundas; a migração celular implica na hipoxia e na falta de elementos nutritivos e causam a morte das células das camadas mais superficiais.

As principais células da derme são os fibroblastos que produzem grandes quantidades de fibras conjuntivas de colágeno e elastina que garantem a sustentação, a extensibilidade e a resistência da pele. Estas fibras se rarefazem progressivamente com a idade, para desaparecer entorno dos 45 anos. Eles também produzem uma substância amorfa, gelatinosa, que sustentam os elementos dérmicos.

A derme é organizada em três camadas de tecido conjuntivo:

  • a camada papilar, situada abaixo da membrana basal de epiderme é rica em células e capilares sangüíneos, fibras nervosas e corpúsculos táteis. Nela se encontram fibras especiais de colágeno, fibras de elastina, a fibronectina que condicionam as ondulações da junção dermoepidérmica e que têm um papel importante na aderência entre os tecidos, fibrócitos responsáveis pela síntese de macromoléculas que formam o tecido conjuntivo do derme, histiócitos responsáveis pela fagocitose de corpos estranhos e alguns mastócitos e células sangüíneas. Do ponto de vista neurológico, a derme contém os receptores sensitivos da dor e da temperatura (terminações nervosas livres) e do tato (corpúsculos de Meissner). Estes últimos encontram-se mas concentrados em áreas muito sensíveis ao toque de leve, como as pontas dos dedos, palmas das mãos, solas dos pés, lábios, língua, face, pele externa dos órgãos genetias e mamilos. As papilas da derme das pontas dos dedos, a palma da mão e a planta dos pés conferem à superfície externa um relevo acidentado, denominado “impressão digital”, feito de cristas e sulcos que aumentam a capacidade de aderência da pele e deixam passar um filme delgado de transpiração;
  • a zona reticular é mais densa e pobre em células, mas ricas em colágeno e elastina, fibronectina, fibroblastos, histiócitos e líquido intercelular. Ela contém vasos sangüíneos, glândulas sebáceas e sudoríparas, receptores de pressão (corpos lamelares) e numerosas células fagocitárias que impedem a passagem das bactérias em profundidade. Fibras de colágeno e elásticas são abundantes nessa área da derme.
  • a derme profunda é dificilmente diferenciada da zona reticular. Ela penetra na hipoderme e se compõe de grandes feixes de fibras colágenas. Na sua face interna e em algumas regiões do corpo, ela contém também fibras musculares lisas e/ou músculos eretores do pêlo.
Hipoderme  

A hipoderme é a camada mais profunda e mais espessa da pele. Ela se invagina na derme e se amarra nela graças às fibras de colágeno e elastina. A hipoderme é constituída de células especializadas no armazenamento de gorduras, os adipócitos, que se agrupam para constituir lóbulos separados por tecido conjuntivo e formar o tecido adiposo.

A hipoderme é extremamente maleável e tem por função servir de interface entre a derme e as estruturas móveis situadas abaixo dela, tais como os músculos, os tendões, etc. Ela serve ainda de reserva lipídica e protege o organismo de choques e das variações externas de temperatura. Sua espessura varia segundo a localização, o sexo e a idade. A hipoderme representa 15 a 30% do peso corporal.

 
 
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